segunda-feira, 23 de março de 2015

quarta-feira, 11 de março de 2015

A LUZ DA SIMPLICIDADE

Enzo Carlo Barrocco





















Título: Paisagem ribeirinha 1   -   Ano: 1999

Autor: Antonio Juvenil   -   Técnica: Acrílica sobre tela



Uma barraca feita de troncos de juçaras

À beira da várzea
Deixa-se envolver pela friagem
Que a invade pelas brechas
E pela cobertura de folhas de palheira.

Nessa casa paira sobre os objetos simples
Uma felicidade que se espraia pelos cômodos
E pela paisagem exterior.

Ai , a simplicidade que se observa
No entorno
As árvores, os bichos, a paisagem,  enfim
Um  lindíssimo cenário,
A simplicidade é uma luz que tu não conheces.
 

 




segunda-feira, 9 de março de 2015

A CURVA DO DOMÍCIO

Conto

por Enzo Carlo Barrocco





Ninguém sabia por que Domício construiu a casa da família exatamente na curva da estrada que dá para o Porto dos Coqueiros, uma curva até certo ponto acentuada numa estrada de mão dupla; um carro que viesse no sentido Vila / Porto e perdesse o controle, certamente atingiria a residência o que causaria um prejuízo muito grande. O terreno de Domício, cujo limite dava na estrada, não era pequeno e tinha, pelos menos, uns quatro quilômetros quadrados, sendo que um dos lados se perdia na mata que protegia o igarapé que atravessava a propriedade. Muitos veículos passavam na estrada dia e noite, principalmente caminhões, carretas e pesadas caçambas que levavam material para despacho no concorrido porto. O próprio Domício contava aos conhecidos que, à noite, os veículos pesados transitavam apressadamente de um lado para o outro. Percebia-se que Domício não se preocupava com essa situação, embora na casa vivesse ele, a esposa e os quatro filhos homens entre 03 e 16 anos, sendo que aquele barulho não causava mais comoção à família.
Certa manhã, a pequena população da Vila Cerqueira, há cinco quilômetros, acordara com a notícia que um caminhão-baú, carregado de caixas de sabão em pó, perdera a direção, já que o motorista havia cochilado, e chocou-se contra a casa na Curva do Domício, como já era conhecida, colocando preocupação nos moradores. A verdade que se constatou, em seguida, foi que o veículo que capotou várias vezes, apenas arrancou um dos mourões que sustentava a puxada que servia de segunda cozinha que Domício havia construído há um mês. O motorista? Colegas  que passaram em seguida, o levaram para a enfermaria do porto.


sexta-feira, 6 de março de 2015

FLORES PROIBIDAS



Enzo Carlo Barrocco

 


















As flores que têm dono são tão mais belas
e muito mais belas essas flores são;
no entanto, vejo do vão azul da minha janela
essas flores serem colhidas uma a uma à mão.

É tempo de colheita e essas flores brancas
sob o vento tépido das manhãs se despem,
as vestes castas ante nuvens francas
e que longas sépalas pelo sol se crespem.

É noite, enfim, e dentre uns lábios rudes
há sussurros, e há luz nos olhos delas;
não mais as vejo as portas estão cerradas,

silêncio e gozo usurpam as madrugadas
que seguem violentamente amarelas
no dorso desesperado das ruas orvalhadas.

terça-feira, 3 de março de 2015

A POESIA ALAGOANA DE ARRIETE VILELA



O POEMA...



POEMA N. 21

Hoje farejas indícios
de novas trilhas,
velas o teu coração tornado
ríspido, brumoso,
e vais às praças públicas colher
um súbito rosto.

         Hoje tenho nos olhos
         somente a dança das
         estrelas cadentes
         fazendo-se mar e poesia:
         a minha melhor
         porção diária de vida.

...E A POETA











Arriete Vilela, alagoana de Marechal Deodoro, poeta e contista, no convés da fragata desde 1949,é uma das principais vozes da literatura alagoana atual. Professora de Literatura da Universidade Federal de Alagoas, Arriete já recebeu inúmeros prêmios, tendo sido distinguida com o mérito cultural da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro com a obra Lãs ao Vento. Uma escritora atuante cuja obra é estudada nos meios acadêmicos. Arriete ocupa a cadeira nº 06 da Academia Alagoana de Letras, eleita em 1996.