quarta-feira, 12 de novembro de 2014

HAI-KAIS - CANTO Nº 30



Enzo Carlos Barrocco


Caminhos desertos,
Um vento sopra do leste - 
Pássaros tranquilos.

*

Vila à beira d´água,
A derradeira lamparina
Num casebre à parte.

*

Borboleta azul -
Sob o beiral do sobrado
Flores de papoula.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A POESIA ALBANESA DE ISMAIL KADARE



O POEMA...

Horários de comboios
 
Eu amo esses horários de comboios em pequenas estações ferroviárias, De pé sobre a plataforma molhada e contemplando o infinito das faixas. O uivo distante de uma locomotiva. O que, o que? (Ninguém entende a linguagem nebulosa de motores a vapor)
Os trens de passageiros. Carros tanque. Vagões cheios de minério interminavelmente a passar. Assim passam os dias de sua vida através da estação do seu ser, Cheio de vozes, ruídos, sinais E o minério pesado de memória.

Traduzido do albanês por Robert Elsie. 














 ...E O POETA
 
Ismail Kadare, albanês de Girokastra, poeta, no convés da fragata desde 1936, estudou na Faculdade de Letras de Tirana e no Instituto Gorki de Moscou. O poeta presenciou a devastação da  Albânia na Segunda Guerra Mundial, cuja experiência ficou marcada na vida e na obra do escritor. O romance O general do Exército Morto, de 1967, deu a ele projeção na Europa. Foi perseguido em seu país pelas duras críticas que fazia ao regime comunista de Enver Hodja. Durante a década de 80, contrabandeou seus manuscritos para a França, até conseguir asilo político e nacionalidade francesa, em 1990. Em 2005, recebeu o Man International  Booker  Prize pelo conjunto da obra. Ismail foi nomeado várias vezes ao Prêmio Nobel de Literatura aparecendo, sempre, na lista dos favoritos.












 



terça-feira, 4 de novembro de 2014

A GEOMETRIA DO VERSO

Enzo Carlo Barrocco
























Quando tudo se mostra
obscuro,
ainda me resta
a geometria do verso
sobre os eitos da palavra;
um vento rasteiro
que revolve os fonemas do absurdo.

Ainda me restam uns filetes de luz
nos abismos da mente,
este enigmático
universo que me domina.
Quando o tempo se fecha
cavalgo inesperadas ventanias.


 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

POEMA PARA NÃO ESQUECER

Enzo Carlo Barrocco




















Venho pouco
      meus lábios de vime,
a solidão na face,
o que se possa doer.

Venho longo
      e minha sombra
sobre as folhas gretadas
de azul e mármore.

Venho, assim,
      nesta nau grotesca;
singra a quilha o corpo gris...
venho escanchado  no lombo do poema.