sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

GRÃO E CORISCO

Enzo Carlo Barrocco


Meu verso diminuto e tão pequeno,
talvez, assim, inexpressivo grão,
mas, também, sei, intumescido e pleno
foge um pouco além da minha mão.

E se consigo domá-lo, potro arisco,
escoiceando as portas do poema,
plena luz morta ao chão, corisco
que fende o ar sob dor extrema.

Põe-se, assim, a galopar ligeiro
e sua crina de amarelo-rubro
 faz-me louco que se me descubro

sob as vestes de um deus-poeta;
mas também sei, intumescido e pleno,
meu verso diminuto e tão pequeno.



quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

PÉROLAS DE CARANANDUBA - CANTO Nº 09

Enzo Carlo Barrocco


A MÁQUINA INDESTRUTÍVEL
O tempo: perene instante,
aparelho da contagem,
não precisa à engrenagem
de óleo lubrificante. 

AS MANGUEIRAS DO 1º COMAR
São quatro mangueiras em
que as vezes parecem uma,
lindo poema, em suma,
na paisagem de Belém.

VÍCIO DIGITAL
Celine se viciou,
seu tempo agora consiste
ficar logada ao tuitter
em frente ao computador.

ESTÁS PENSANDO QUE ISSO É NÉVOA!
A manhã nasceu tristonha
envolta  por nevoeiros,
é que à noite os maconheiros
fumaram muita maconha.

A MISERÁVEL RUA DA INVASÃO REMOTA
À noite a rua era escura,
extremamente afastada
que nem mesmo era citada
nos mapas da Prefeitura.  

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

ALONSO ROCHA: O ADEUS DO POETA



É com pesar que comunico o falecimento, em Belém, do poeta paraense  Alonso Rocha na noite desta terça-feira, 22.02.11, aos 84 anos. Segundo informações de familiares, Alonso estava debilitado e teve o quadro agravado por problemas pulmonares.
O poeta é apontado como um dos melhores sonetistas do Pará dos últimos 50 anos. Na trova o mesmo apuro técnico, embora tenha começado tarde nessa variante. É poeta eclético - como mesmo declarava – não aprisionado a escolas e sem preconceito com qualquer forma de manifestação poética. Alonso foi eleito o IV Príncipe dos poetas do Pará e também pertenceu à Academia Paraense de Letras. Abaixo, um dos sonetos do grande poeta:




NOTURNO
  

Das papoulas da noite colho o espanto
- chuva antes da Lua aparecer –
e das gotas do orvalho teço o canto,
mistura de cansaço e de sofrer.

Na armadilha da aranha aceito o encanto
(macho prestes a amar e fenecer)
e da ferida aberta flui-me o pranto
- linfa de garça em vôo de se perder.

Ninguém percebe como dói a espera
- ave noturna, cais de pedra, fera –
atalho de um caminho amargo e escuro.

Então floresce o poema, essa oferenda,
mais sombra do que luz, trapo que renda,
flauta de amor de pássaro maduro.


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

QUINTANA: UM GÊNIO NO JIRAU

Da mente genial de Mário Quintana, poeta, contista e tradutor gaúcho
Estrela da Natividade: Alegrete 1906
Cruz da Eternidade: Porto Alegre 1994



Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce - uma estrela,
Quando se morre - uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
"Ponham-me a cruz no princípio...
E a luz da estrela no fim!"


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

OS PARAOARAS

Enzo Carlo Barrocco


Eu “vu” “aculá”
buscar um paneiro de tucumãs
se chover me “escundo” num pé de sororoca
que a manhã já “tá” “jitinha” que só!

Égua de ti
que me põe pissica!
Vai de “impurtar” contigo,
lavar essa canela tuíra.

Eu “vu” “suzinho”
debulhando a tarde
só “ulhando” os “pai-pedro”  “arvuar”.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

NOTÍCIA DO DIA

NO UOL NOTÍCIAS DE HOJE:


"Britney Spears e Lady Gaga estão com músicas novas; qual você prefere?"

Eu prefiro nenhuma. 

Por favor, me manda aí um Jackson do Pandeiro!

GEOMETRIA



Enzo Carlo Barrocco




Pouca luz
assoma a tua sombra
em mim.
A mão, lua-mão,
encontra a minha mão.
No mais, amor,
desejo a sombra que a pouca luz assoma.

Nem ouso o sensual
já que teu sorriso é geométrico e fatal.


 

VOLTAIRE NO DIÁRIO DOS PENSADORES




"Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males". 


- François Marie Arouet, o Voltaire (Paris 1694 – Idem 1778) contista, romancista, dramaturgo e filósofo francês


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

MANHÃ SOBRE A BAÍA

Enzo Carlo Barrocco

Um barco solitário na baía
acorda-me todo dia,
do alto do meu prédio amanhecido
barco, solidão, poesia.

Estico o dedo vário
e longe toco o barco imaginário,
do alto do meu prédio amanhecido
meu poema solitário.

Um barco moroso e solitário
navega à poesia
do alto do meu prédio imaginário
luz, velame, baía.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

ESTANTE DE ACRÍLICO - LIVROS SUGESTIONÁVEIS

por Enzo Carlo Barrocco


 

Noites Brancas” (Novela)
Autor: Fiódor Dostoievski
Edição: Editora América do Sul Ltd.
O amor não correspondido entre um homem solitário e uma mulher apaixonada por outro homem. Uma história trivial, mas sob a perspectiva de Dostoievski ganha refino e sofisticação.

“Paris é uma Festa ” (Romance)
Autor: Ernest Hermingway
Edição: Editora Civilização Brasileira S.A.
A Paris entre os anos de 1921 e 1926, retratada sob o olhar aguçado de Hermingway. “Paris é uma Festa” é uma de suas obras menos conhecidas, no entanto, não menos interessante.

“Obras completas” (Poesias)
Autor: Rodrigues Pinajé
Edição: Cultural/Cejup
O Príncipe dos Poetas Paraenses e toda a sua obra reunida nesta antologia poética. Pinajé foi, e continua sendo, um dos nossos grandes poetas e merece toda e qualquer homenagem que possamos lhe prestar. 


 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A LANTERNA DOS LUMIÈRE - TOM CRUISE É O VAMPIRO HOLLYWOODIANO


Resenha

por Enzo Carlo Barrocco



UM VICENTE PRICE DE FINAL DE SÉCULO
 
FILME: ENTREVISTA COM O VAMPIRO (Interview With The Vampire) – Terror – EUA – 1994 – 2h02.  Direção Neil Jordan. Com: Tom Cruise, Brad Pitt, Sthepen Rea, Antônio Banderas, Christian Slater, Kirsten Dunst.


Louis (Pitt), atormentado pela morte da família se apega ao vampiro Lestat (Cruise) a fim de experimentar a vida eterna. Entretanto, torna-se um vampiro com alma humana torturado, agora, com as crueldades de Lestat e o amor quase ensandecido pela pequena Cláudia (Dunst). Após 200 anos de atribulações, Louis decide contar sua história para um repórter (Slater) de São Francisco. O filme tem um visual belíssimo, um roteiro convincente e excelentes atores. Vale a pena conferir.


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

PÁSSAROS DO ANOURÁ - Poetrix - 2ª Tríade


Enzo Carlo Barrocco


PAISAGEM DE ESTRADA
Manhãzinha parda;
plantação, bichos, sossego,
casa isolada.

ANTIGOS TRENS
Velhas estações,
os longos trens carregam idos
sonhos nos vagões.

AS MARIPOSAS
Mariposas, aos pares,
pousas em cadeiras plásticas
em noturnos bares.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

RELÂMPAGOS


Enzo Carlo Barrocco


 



As luas carmim retornam
do infinito.
Noites claras nestas luas cheias.

Uns riscos esgalhados
fulgem pelo prado
claro-escuro do horizonte.

Deus, agora, acende
lamparinas. 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A POESIA ACREANA DE JORGE TUFIC


O POEMA

Voragem

Rostos que nunca vi, jacintos murchos
cujas sonatas frias me tocaram,
estes rostos não quero: eles são breves
no desfile das pálpebras cerradas.

Penso naqueles outros, familiares
rostos de toda vida. Cata-ventos
da rua ainda sem nome, alagadiço
porão da infância, arpejos e trigais,

dai-me a ver novamente ou mesmo em sonho,
estes semblantes nunca repetidos,
graves alguns, mas todos inseridos

na memória dos dias voluntários.
Cemitério, talvez, dessas lembranças,
todas, em mim, são rosas e crianças. 







O POETA

Jorge Tufic, poeta, cronista, ensaísta e jornalista, acreano de Sena Madureira, no convés da fragata desde 1930, é um vigoroso poeta amazônico, que camba o seu discurso poético para o universo regional. Os anseios do homem amazônico dão cores a sua vibrante poesia. A partir do início da década de 90, fixou-se em Fortaleza – CE, dedicando-se exclusivamente à literatura. Sua estréia literária aconteceu em 1956, com a publicação de Varanda de Pássaros. 



AO CAIR DA TARDE


Enzo Carlo Barrocco


A lua levanta a cara
rente a capoeira seca,
a tarde morre tão fresca
a noite, menina clara,

nasce fria e consistente.
A beleza se experimenta,
a paisagem se ornamenta
com o sol dobrando o poente

sobre umas nuvens lilases.
Porquanto os entes noturnos
às sombras que se refazem

pelos caminhos soturnos,
débeis, frágeis e fugazes
vão começando seus turnos.