sexta-feira, 22 de outubro de 2010

PÁSSAROS DO ANOURÁ - Poetrix - 22ª Tríade

Enzo Carlo Barrocco

POLUIÇÃO
Os homens brincam
de provocar o planeta.
A catástrofe se apruma no horizonte.

SEPULCRO
Uma pá de terra
sobre a tua cara ríspida;
o silêncio de guardou do mundo.

BEATRICE
Meu destino
são teus olhos garços.
Beatrice esta noite me pertence.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

ALPHONSE DE LAMARTINE: O GÊNIO NASCEU HOJE


por Enzo Carlo Barrocco



Alfhonse de Lamartine (Maçon 21.10.1790 – Paris 28.02.1869) poeta e político francês se notabilizou por ter influenciado o romantismo em seus país. Aclamado pela crítica pelo lançamento do livro "Meditações" (Les méditations), de 1820, ingressou na carreira diplomática. Embora tenha sido um dos maiores escritores franceses de todos os tempos, no fim da vida o governo o socorre com uma renda vitalícia de 21 mil francos, a título de recompensa nacional. O poeta faleceu, em uma casa que lhe fora doada, visto a dificuldade financeira que a vida lhe impusera.

DA MENTE GENIAL DE LAMARTINE:

"Entre a brutalidade para com o animal e a crueldade para com o homem, há uma só diferença: a vítima."

 

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

PÉROLAS DE CARANANDUBA - Canto nº 8

Enzo Carlo Barrocco


ESMERALDA
Esmeralda toda nua
no lusco-fusco do quarto
seu lindo corpo reparto;
ai, dois pedaços de lua!

A ROSA COMPACTADA
A vida, que prazerosa,
o sol num pomar disperso,
toda a força do universo
comprimido numa rosa.

LIRISMO
Uma estradinha de terra
beirando o canavial,
todo um lirismo rural
em sua paisagem encerra.

OS NOSSOS PRÓPRIOS ABISMOS
Estamos sempre cavando
os nossos próprios abismos,
a cada dia mais sismos,
o fardo  se avolumando.

VELHICE
Eu era um homem forte
agora decrepitude
a vida pra mim foi rude
espero sereno a morte.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

UM SONETO A RAIMUNDO CORREIA



Enzo Carlo Barrocco


Eu quero igual a Raimundo Correia
um verso muito claro; um vindouro
soneto que brandamente se leia
e que se sinta um gozo duradouro.

Assim como uma brisa delicada
que necessita de agilidade
do mesmo modo o verso; revoada
de pássaros em perfeita unicidade.

Portanto, um poema muito afável
pretendo que se faça neste ensejo.
E pelo amor de Deus não sou insano

ao mencionar o nome de Raimundo,
é que não tem poeta mais fecundo
que esse escritor parnasiano.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

AFRÂNIO PEIXOTO NO DIÁRIO DOS PENSADORES



"Os elogios são como a moeda falsa, que não empobrece a quem despende, mas ilude sempre a quem recebe".


* Afrânio Peixoto (Lençóis 1876 – Rio de Janeiro 1947) romancista, ensaísta, crítico, político e historiador literário baiano





quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A CURVA DAS TRÊS MANGUEIRAS

Conto

por Enzo Carlo Barroccco






Há tempos se falava que, à noite, na curva das três mangueiras muitas pessoas já tinham visto aparições; visagens como se diz por aqui. Pessoas idosas e acima de qualquer suspeitas afirmavam categoricamente que passando na curva, em algumas ocasiões, tinham presenciado certas “marmotas”. Contavam em detalhes, inclusive. Eu particularmente já passei inúmeras vezes na curva das três mangueiras e nunca vi absolutamente nada. Como é que esse pessoal vê toda a sorte de aparições? Até, hoje nunca consegui entender! Dizem alguns que em tempos remotos havia morado ali uma próspera família de cearenses, mas que com o tempo todos foram morrendo, ficando apenas alguns mais novos que acabaram por se mudar daquele lugar. De lembrança ficaram as propaladas mangueiras alvos dos episódios sobrenaturais.
Eu não vivo desafiando os entes da noite, acaso eles existam, mas saio a qualquer hora porventura seja necessário. O fato é que eu moro a dois quilômetros da curva e aqui a acolá uma casa simples desgarrada para a margem do caminho quebra a solidão deste lugar afastado de tudo.
Dois ou três dias da semana saio para pescar à noite no rio que corta nossa região, onde muitas famílias retiram seu sustento; embora sejamos todos agricultores, a pesca é uma atividade que complementa a nossa alimentação.
Pois bem! Certa feita, voltando da pescaria, que naquela noite se mostrou promissora, resolvi ficar um tempo ali na curva para verificar se realmente acontecia alguma coisa de anormal. Entrei por uma vereda, baixei a panela com os peixes, a sacola com os espinhéis e sentei num apodrecido tronco de andirobeira. Imaginei que fossem umas três ou três e meia da madrugada fria daquele meio de inverno onde se avistava uma ponta de lua minguante entre o arvoredo. Um vento fraco pelas folhas e nada, imperiosamente, nada que se pudesse dizer que ali vagasse alguma aparição. Era sexta-feira e enquanto estive ali, pessoa alguma passou no caminho; também com aquela fama toda aposto que alguém se dispusesse a passar por ali àquela hora! Estava naquele silêncio a uma hora ou mais.
“Estou perdendo tempo” - pensei. Retomei a panela e a sacola de espinhéis e dei de sair pela mesma vereda, quando ouvi, pelo menos duas pessoas, correrem desesperadamente caminho afora na direção oposta a minha casa. Sem dúvida me avistaram baçamente e supuseram alguma aparição, alimentando ainda mais a lenda da curva das três mangueiras. Fui embora tranquilamente com a minha penela de peixes e a sacola de espinhéis. No outro dia soube pelo compadre Antônio Filho que Zenóbio e Guilhermino, sobrinhos do velho Zeca, se defrontaram com um vulto que os perseguiu até o caminho do lago preto. Como eu já tinha contado a história para a minha mulher, quando o compadre nos contou, ela apenas me olhou furtivamente.

A TENDA DOS BLOGUEIROS - GÁVEA - Um blog português sobre livros & literatura brasileira.


Rumores menos bons


Rumores vindos do Rio: dificuldades cercam a Ediouro, que planeia, entre outras coisas, a mudança e concentração de instalações para as várias empresas do grupo, como a Agir e a Nova Fronteira.

***

Do Blog da GÁVEA

http://gavea.blogspot.com/

terça-feira, 5 de outubro de 2010

HAI-KAIS - 19º Terceto

Enzo Carlo Barrocco


A chuva carrega
vento, raios, folharal,
os trovões ecoam

***

Sol na plantação,
os cajueiros floridos -
colheita urgente.

***

Casa abandonada -
o mato tomando conta
da velha tapera.