terça-feira, 27 de julho de 2010

CANÇÃO

Enzo Carlo Barrocco



Cada vez que vens ao meu encontro
trazes um pouco de brisa e de afeto,
teu sorriso se abre, um girassol
que se mostra inteiro para o dia.

Vens cantando como uma ave canta
no início da manhã. E então me olhas,
e te aproximas (lua de janeiro)
entre as brumas matutinas que se formam.

Carregas contigo esse perfume
que exalas pelos cômodos da casa,
fragrância que há tempos reconheço.

Podes vir te aguardo intensamente:
Não demora! Para que perdermos tempo?
E não esqueças da canção que prometeste!




sexta-feira, 23 de julho de 2010

MARIO QUINTANA NA ESTANTE VIRTUAL


Livro: Nova Antologia Poética

Autor: Mário Quintana

Edição: Editora Globo




Em homenagem ao centésimo ano de nascimento de Quintana a Editora Globo presenteia os leitores do poeta com este maravilhoso livro que engloba escritos de vários períodos. Homenagem merecida.




QUILOMBOLAS


Enzo Carlo Barrocco




A pele e os olhos negros,
o sol liberiano
e o sorriso que se expande,
a força e a lavra,
a alegria.

O negro sabe da sua condição,
de sua respeitável luta
pela sobrevivência.

Somos todos da mesma essência,
a mesma cor no fundo
da alma.

terça-feira, 20 de julho de 2010

RONALD FIGUEIREDO MONTEIRO NA ESTANTE VIRTUAL


por: Enzo Carlo Barrocco


Livro: A Hora Flava (Poesias)
Autor: Ronald Figueiredo Monteiro
Edição do Autor

A poesia deste pernambucano é impregnada de religiosidade. Pelo menos, aqui, em “A Hora Flava” esta religiosidade está mais acentuada. Ronald é um excelente poeta.


AS ESPORAS DE SATANÁS

Conto

por Enzo Carlo Barrocco



Catarino não gostava, em hipótese nenhuma, de um ex-vizinho que emprestara dele, certa feita, mil reais sem jamais ter havido pago. O calhorda mudara-se há tempos para o Bananal, colônia no extremo leste do município. Quando soube pela boca solta de seu cunhado Antônio que o ex-vizinho havia partido desta para uma melhor, resmungou: a essa hora ele já está por baixo das esporas de satanás...

ALEX BRONDANI: O POETA E O POEMA


O POETA


Alex Brondani, gaúcho do Distrito de Arroio Grande, município de Santa Maria, poeta e contista, no convés da fragata desde 1974, é um dos novíssimos escritores que tem se destacado em vários concursos de poesias. O próprio poeta afirma que seus versos iniciais usam uma linguagem regionalista fortemente marcada pelo movimento nativista e tradicionalista do Rio Grande Sul. Embora os poemas de Brondani sejam de cunho intimista é perceptível a diversidade de temas em sua lavra. Saudemos Alex Brondani e sua excelente escrita.


O POEMA


Porto Alegre amanhecia lentamente.

Da minha janela o Guaíba era um Postal

E tu, linda e nua, em minha cama

Era um anjo caído de um céu de lantejoulas

Adormecida nos meus braços de poeta.

Naquela profusão de sentimentos tão recentes

O tempo manso escorria junto as águas

E a vida inteira reduzida aquele instante

Era apenas fragmento do que fui.

Teu corpo em mim e minha alma dividida.

E agora que já não tenho o teu olhar

Quase morro de saudade a esperar

Sem saber se um dia ainda de novo eu te verei.



quinta-feira, 15 de julho de 2010

DA SÉRIE PAISAGENS DE BELÉM - FOTOGRAFIA Nº 3

Enzo Carlo Barrocco



O pô, pô, pô
sobre as águas calmas da baía -
pô, pô, pô, pô, pô, pô, pô...
Dois homens se revezam no leme,
a montaria aponta Cotijuba.
Logo mais à noite
o sol se deitará no chão de Barcarena.

O céu de Belém está aberto.
E se chovesse agora?
"Tu é doido, é?"
Os homens estão é com cuíra
de chegar.
Na ponta norte da Ilha das Onças
quase não se vê o "Deus nos Salve!"

terça-feira, 13 de julho de 2010

PODER


Enzo Carlo Barrocco





O poder é um homem mau,

com seu quepe antigo

e sua ombreira dura.


O poder é um troglodita.



quarta-feira, 7 de julho de 2010

FLORES DE TRACUATEUA - CANTO Nº 07


Enzo Carlo Barrocco



UM POVO QUE NÃO TEM NOME

O governo faz de tudo

para eliminar pela fome
um povo enganado, mudo,
um povo que não tem nome


O AMOR NÃO REPARA A FEIURA

Maria ama Franchico

de fealdade bem rara!
O amor, Maria, é um bicho
que a feiura não repara.


TEMPO BREVE

Desfrutai este momento.
seja bom ou seja mau,
que a vida passa num vento,
nunca tereis outro igual.


VOO NOTURNO

A lua surge tão bela
além do igapó, em cuja
claridade se revela
um grácil voo de coruja.


GUERRA

O general não foi à guerra

mandou as baixas patentes,
o sangue lavou a terra,
o sangue dos inocentes.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

NOTAS PEQUENAS: DUNGA, O ARROGANTE


Croniqueta


por
Enzo Carlo Barrocco


Nem tanto pelos jogadores que não tiveram culpa de terem sido convocados, alguns justamente chamados outros nem tanto, mas pelo técnico arrogante e prepotente que humilhou um jornalista em rede mundial. Treinar secretamente para jogar com uma combalida Coréia do Norte, uma fraquíssima Costa do Marfim, uma inoperante Seleção de Portugal e Uma Seleção Chilena totalmente sem condições de jogar uma copa do Mundo, é realmente uma presunção muito grande. A Seleção brasileira não tem adversários à altura na América do Sul, por isso a fácil classificação nas Eliminatórias. E convenhamos: a Copa América e a Copa das Confederações foram conquistadas à base de lances, absolutamente, fortuitos que comprovam o frágil sistema tático desta Seleção de Dunga. Meu caro, a fila anda! Larga o osso!



quinta-feira, 1 de julho de 2010

SUICÍDIO

Enzo Carlo Barrocco



Na amurada do viaduto
uma mulher se escora; olha
para baixo. O movimento dos carros
nessa hora
é estúpido.

A bolsa colada ao peito; parece que chorou.
Observei-a por uns dez minutos.
Num átimo desapareceu.
Ouvi uma pancada seca. Na queda uma caçamba
betoneira a despedaçou no asfalto.
Eu também me fiz de curioso.