sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A LADEIRA DO ESPEVITADO

Conto

por Enzo Carlo Barrocco



A ladeira era íngreme e as águas das chuvas tinham castigado, sobremaneira, a encosta. Dava para vislumbrar parte do igarapé correndo para a esquerda. Um menino de cabelo de milho, espevitado e carregando uma panela vazia, se pendurava com apenas uma das mãos em um cipó a beira do caminho. O pai vinha atrás puxando um cavalo pelas rédeas, despreocupadamente quando, de repente, o lourinho despencou ladeira abaixo. Quando o pai apontou na cabeça da ladeira a criança já tinha chegado à beira d´água. Nada de mais grave, aparentemente, tinha acontecido; só um choro incontido e algumas escoriações. A panela ficou suspensa pela alça num galho seco. Daquele dia em diante o lugar ficou conhecido como “a ladeira do espevitado”.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

EU SEI DAS ALMAS DOS MAIS SIMPLES

Enzo Carlo Barrocco





Eu sei das almas dos
mais simples...
Do pão que não se pode comprar,
do móvel que não se pode adquirir,
do eletrodoméstico, da reforma da casa, etc.

De tudo o que se passa,
de tudo o que não se consome,
a dificuldade em si,
a dificuldade na sua mais dolorosa face.

Quem depende do ombro do outro
pede
uma luz que não se pode alcançar...
Eu sei das almas dos
mais simples.




segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

MÁRIO BARATA NA ESTANTE VIRTUAL


Livro: Poder e Independência no Grão- Pará (1820-1823) - Monografia

Autor: Mário Barata
Edição: Conselho Estadual de Cultura - Belém



O autor presenteia os historiadores, assim como o público em geral, com este trabalho sobre a Adesão do Pará a Independência do Brasil com pormenores e dedicação.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

UM PEQUENO EPISÓDIO DE NATAL


Enzo Carlo Barrocco





Era Natal e um menino sujo

parado em frente da casa rica

olhava os enfeites e os pisca-pisca

criteriosamente postados, cujo


dono por trás das vidraças grossas

monitorava os passos do menino.

Viu à mesa louças e mais louças,

Papai Noel sobre a banca, e um sino


tão bonito em sua mão direita.

Não sabia que o homem espreitava

sua curiosidade de criança.


Sabia menos que essa festa tem

por intuito celebrar a vinda

de um menino pobre de Belém.



terça-feira, 12 de janeiro de 2010

ALBRECHT DÜRER NO DIÁRIO DOS PENSADORES


Albrecht Dürer (Nuremberg 1471 – Idem 1528) pintor, gravador e ilustrador alemão


- Um bom pintor, por dentro, está cheio de figuras.


- Só a Deus pertence a faculdade de pautar a beleza absoluta.




sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A POESIA MINEIRA DE ADRILES ULHOA FILHO


O POETA





Adriles Ulhoa Filho, mineiro de Paracatu, poeta, no convés da fragata desde 1937, conserva em seus escritos os gostos e os sabores das Minas Gerais, a vida e os afazeres do interior, as belas paisagens mineiras dos anos de 1940 e 50, cujas poesias continuam atualíssimas, por sinal. Adriles, presentemente, é membro da Academia de Letras do Noroeste de Minas, onde ocupa a Cadeira nº 6. O poeta, embora tenha morado por 28 anos na capital paulista, fixou residência em Belo Horizonte. Trilhemos os caminhos poéticos de Adriles e a sua literatura de boa nota.



A POESIA



Antigo


Acorda, Petrúcia.
Desperta, Vicença!
Não deixem que o tempo
As venham tomar.

Embrenhem nas brumas,
Acoitem nas trevas
Não deixem que o hoje
As venham levar.

Caminhem nas matas,
Dispensem os leitos
Não deixem que o novo
As venham mudar.

Caladas, silentes,
Fiquem na escuta
Não ouçam o presente
Que as querem alcançar.

Enquanto dormias
Fiquei na vigília.
Velei os teus sonhos,
Postado, a rezar.

Agora, despertas!
A aurora raiando.
Não deixem o eterno,
De novo, escapar.



segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

AS TAPERAS

Enzo Carlo Barrocco





Eu amo as velhas taperas,
os indícios da antiga casa,
as árvores frutíferas
que não puderam
seguir.

O mato crescendo
sobre os sonhos que ficaram;
os vultos
sob as sombras esquecidas,
o quintal coberto de folhas.

Onde houve vida
o silêncio se apossou de tudo;
o igarapé passa tranqüilo
igapó abaixo.

Extensas sombras,
logo mais à noite,
habitarão
os antigos quartos abandonados.

DJAVAN NO DIÁRIO DOS PENSADORES


* Djavan (Maceió 1949) cantor e compositor alagoano


- É que fui condenado a viver do que cantar.


- É preciso ter sorte na vida, até para atravessar a rua.


- Por ser exato, o amor não cabe em si. Por ser encantado, o amor revela-se. Por ser amor, invade e fim.


- Nem se eu bebesse todo o mar, encheria o que eu tenho de fundo.


- Um dia triste, um bom lugar pra ler
um livro e o pensamento lá em você


- Teus sinais me confundem da cabeça aos pés, mas por dentro eu te devoro...Teu olhar não me diz exato quem tu és, mesmo assim eu te devoro!!!


- É esse o vírus que eu sugiro que você contraia
Na procura pela cura da loucura,
Quem tiver cabeça dura vai morrer na praia.