terça-feira, 28 de abril de 2009

DA SÉRIE: PAISAGENS DE BELÉM - FOTOGRAFIA Nº 2


Enzo Carlo Barrocco




As flores nas mãos da moça,

olhos negros

pela generalíssimo;

Belém se esconde sob a tarde:

floresta e água.

Ah!... A igreja de Nazaré,

gotas de luz no frontispício.


O poema singular para à esquina

(houve chuva no decorrer do dia),

a moça com as flores nas mãos

meigamente transpõe meus versos...

Relâmpagos para os lados do Guamá.



sexta-feira, 24 de abril de 2009

31


Enzo Carlo Barrocco





Bateu a noite, o coração batia,

As ruas todas, a cidade inteira

Envolvida num torpor profundo

De janeiro já se despedia.


Veio a chuva ensopando tudo,

As ruas todas, a cidade inteira,

Pelos prédios umas luzes fracas

Um domingo opressivo, mudo.


O cenário estava bem soturno,

As ruas todas, a cidade inteira,

Poucos carros; pouca gente havia.


Aqui e além uma alma errante.

Ante o vulto da manhã distante

Fevereiro já se entrevia.



quinta-feira, 23 de abril de 2009

A TENDA DOS BLOGUEIROS - MICROARGUMENTOS


O APRENDIZ







A casinha de bonecas era seu esconderijo preferido. Lá dentro escondia balas e chocolates e se refugiava na hora dos deveres. Tão quieto ficava que esqueciam de sua existencia. Mas o que mais gostava era apreciar, sem ser visto, as brincadeiras de médico que a babá fazia com seu irmão mais velho. Espiava e aprendia como fazer com a amiguinha da escola que convidara para lanchar em sua casa.

escrito em 23-04-2009


DO BLOG DA ÂNGELA


http://microargumentos.blogspot.com/





quarta-feira, 22 de abril de 2009

A POESIA ATORMENTADA DE JUNQUEIRA FREIRE


O poeta e religioso católico baiano Luís José Junqueira Freire (Salvador 1832 – Idem 1855) fez os estudos primários e os de latim precariamente em virtude da saúde abalada. Em 1849, matriculou-se no Liceu Provincial de Salvador no qual se destacou como excelente aluno. Para fugir da pressão familiar ingressou na “Ordem dos Beneditinos”, em 1851. Na clausura do Mosteiro de São Bento, em Salvador, viveu amargurado, revoltado e triste pois não manifestava a menor vocação monástica, mesmo porque tinha tomada a decisão irrevogável dos votos perpétuos. Nesse período, porém, pôde ler muito e dedicar-se à poesia. Trabalhou, também, dentro do mosteiro, como professor; atendia, então pelo nome de Frei Luís de Santa Escolástica Junqueira Freire. Pediu a secularização em 1853, recurso que o libertava das disciplinas religiosas, mas que, por força dos votos perpétuos, tinha que permanecer sacerdote. De volta à casa da mãe em 1854, redigiu uma pequena autobiografia. Pouco antes de sua morte, aos 23 anos, fez publicar seu único livro em vida que intitulou “Inspirações do Claustro”. A obra de Junqueira enquadra-se na terceira fase do romantismo, também chamada de ultra-romantismo, ligado aos padrões do neoclassicismo. O equívoco na sua escolha monástica refletiu seriamente nos seus escritos. Seu estilo mais fechado não permitiu ao poeta expressar todos os sentimentos reprimidos. A obra de Junqueira Freire mereceu um louvor, como também uma crítica por parte do poeta, contista, cronista, romancista, dramaturgo e ensaísta fluminense Machado de Assis (Rio de Janeiro 1839 – Idem 1908). Foi louvada pela forma sincera como retratou todo o drama de uma pessoa presa a uma falsa vocação; crítica ao modo dessa poesia que caiu no genérico e no prosaico. Machado ainda disse que os versos de Junqueira não são palestras de sacristia nem mexerico de locutório, mas sim um livro profundamente sentido, uma história dolorosamente narrada em versos, muitas vezes duros, mas evidentemente saídos do coração. A sua breve e sofrida passagem pelo mosteiro forneceram ao poeta as características de sua personalidade, conflitantes, porém. Disse Junqueira no prólogo de Inspirações do Claustro: “Cantei o monge, porque ele é escravo, não da cruz, mas do arbítrio de outro homem. Cantei o monge porque não há ninguém que se ocupe de cantá-lo. É por isso que cantei o monge, cantei também a morte. É ela o epílogo mais belo de sua vida: e seu único triunfo”. O sofrimento e a clausura deram a Junqueira o tormento que a sua alma precisava para nos presentear com belíssimos poemas. O poeta é o patrono da Cadeira nº 25 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Franklin Dória (Itaparica 1836 – Rio de Janeiro 1906) poeta, orador e político baiano. Obras: Inspirações do Claustro (1855); Elementos de Retórica Nacional (1869); Obras, edição crítica por Roberto Alvim, 3 vols. (1944); Junqueira Freire, org. por Antonio Carlos Vilaça (Coleção Nossos Clássicos, nº 66); Desespero na Solidão, org. por Antonio Carlos Vilaça (1976); Obra poética de Junqueira Freire (1970). Fiquemos, portanto, com três raríssimas jóias produzidas pelo vasto universo da mente de Junqueira:



Teus Olhos


Que lindos olhos

Que estão em ti!

Tão lindos olhos

Eu nunca vi...

Pode haver belos

Mas não tais quais;

Não há no mundo

Quem tenha iguais.

São dois luzeiros,

São dois faróis:

Dois claros astros,

Dois vivos sóis.

Olhos que roubam

A luz de Deus:

Só estes olhos

Podem ser teus.

Olhos que falam

Ao coração:

Olhos que sabem

Dizer paixão.

Têm tal encanto

Os olhos teus!

— Quem pode mais?

Eles ou Deus?



Sonho


Era um bosque, um arvoredo,

Uma sagrada espessura,

— Mitológica pintura

Que o romantismo não faz.

Era um sítio tão formoso,

Que nem um pincel romano,

Nem Rubens, nem Ticiano

Copiariam assaz.

Ali pensei que sonhava

Com a donzela que me inspira,

Que põe-me nas mãos a lira,

Que põe-me o estro a ferver;

Que me acalenta em seu colo,

Que me beija a vasta crente,

Que me obriga a ser mais crente

No Deus que ela julga crer.

Sonhei com a visão dourada,

Que todo o poeta sonha,

— Idéia gentil, risonha,

Tão poucas vezes real!

Que só, com o peito abafado,

Se vai de noite em segredo

Contar no denso arvoredo

Ao cipreste sepulcral.

Mas, despertando do sonho,

Que aos homens não se revela,

Achei comigo a donzela,

Me apertando o coração,

E ainda presa a meus lábios,

Entre um riso, entre um gemido,

Murmurou-me ao pé do ouvido

— Que não era um sonho, não. —

E não mais, enquanto vivo,

Deixarei esta espessura,

— Mitológica pintura

Que o romantismo não faz.

Era um sítio tão formoso,

Que nem o pincel romano,

Nem Rubens, nem Ticiano

Copiariam assaz.



Soneto


Arda de raiva contra mim a intriga,

Morra de dor a inveja insaciável;

Destile seu veneno detestável

A vil calúnia, pérfida inimiga.

Una-se todo, em traiçoeira liga,

Contra mim só, o mundo miserável.

Alimente por mim ódio entranhável

O coração da terra que me abriga.

Sei rir-me da vaidade dos humanos;

Sei desprezar um nome não preciso;

Sei insultar uns cálculos insanos.

Durmo feliz sobre o suave riso

De uns lábios de mulher gentis, ufanos;

E o mais que os homens são, desprezo e piso.



sábado, 18 de abril de 2009

JIRAU DIVERSO Nº 37


JIRAU DIVERSO

Nº 37 – março.2009

por Enzo Carlo Barrocco


A POESIA PARAENSE DE JOSETTE LASSANCE


O POEMA


BLADE RUNNER
 
Ele,
Ela
Bonecos de cera
Na rua, piche.
No céu,
Oito aviões supersônicos
Noferastu nos museus
Um beijo que acaba no vácuo.
 
 

A POETA


Josette Lassance, paaense de Belém, poeta e contista, no convés da fragata desde 1962, já participou de várias publicações em revistas de Belém, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Sua poesia destaca-se pela excelente colocação das palavras o que dá ao poema o ritmo necessário. Em 2001, Josette publicou o livro Prazer Clandestino, que são cartões fotográficos acompanhados do texto poético, o que faz dela uma escritora eclética e diveersificada.

***

ESTANTE DE ACRÍLICO

Livros Sugestionáveis


Nola – O Manuscrito que Abalou o Mundo

Autor: Benedito Ismael Camargo Dutra

Edição: Editora Marcozero

O autor acredita que é ainda possível salvar o planeta o ocultismo, o misterioso, o etério, assuntos que sempre aguçaram a mente humana. Um livro questionador.


O Macaco Malandro

Autora: Tatiana Belinky

Edição: Editora Moderna

O teatro muito bem representado contando a história do macaco que espertamente ludibria um lobo e uma raposa. Graça e leveza no texto de Tatiana.


Os Lusíadas

Autor: Luís Vaz de Camões

Edição: Editora Ática

Poema épico acrecentado de comentários críticos e notas explicativas por Carlos Felipe Moiséis, o que torna a leitura mais elucidativa.


***


A FRASE DI/VERSA


Todos os dias, sob todos os pontos de vista, eu vou cada vez melhor.

- Emile Coué (Troyes 1857 – Paris – 1926) psicólogo, farmacêutico e ensaísta francês


***


DA LAVRA MINHA

LINHAS BARROQUIANAS

Poemas de um verso só

Nº 4



Enzo Carlo Barrocco


TEMPORAL NUM FIM DE TARDE

A chuva fala à floresta a sai linguagem líquida.


BIBLIOTECA

Livros abertos; mentes que se alargam ao mundo.


O POENTE NO ARQUIPÉLAGO

O sol mergulha nas águas pretas das Anavilhanas.


LUAR LITORÂNEO

A lua no mangal – um poema de beleza única única.


POVOADO

Vento rés ao chão. Um cão se enovela na calçada.



quinta-feira, 16 de abril de 2009

HAVANA


Enzo Carlo Barrocco




Certa vez em Havana,

debuxo da revolução,

havia um homem olhando o mar.

Tudo tão quieto.

Houve aqui sublevação?

Silêncio de um fim de tarde.

Um ar aflitivo;

há gente submersa em versos,

A boca de “Che”, a voz de Fidel,

as águas que cercam a ilha.

Não há insensatez em voltar.



quarta-feira, 15 de abril de 2009

SOARES FEITOSA: O INCANSÁVEL


Soares Feitosa
(Ipu 1944)
Poeta e jornalista cearense

millenium

Nem anzóis, nem redes.

Sequer ele próprio, em boa culinária,
aos molhos, azeites, azeitonas,
numa manhã de folguedos. Não.

Nem isto. Peixe algum te chegue à boca.

Que seja teu,
permanente, ainda que escuro seja
o dia —
espelho e face, a ti, o Retrato do Peixe.



terça-feira, 14 de abril de 2009

TEATRO DA PAZ

Enzo Carlo Barrocco



Ergue-se no tempo de mil vozes
o Teatro
e, súbito, o silêncio secular;
mãos de outrora
que lhe marcaram rubras pedras.
Carlos Gomes vaga esguio pelos alpendres.

A paz revela-se sob suas décadas.
Faces vetustas de mil risos
Que se perderam.
O espetáculo és Tu, templo de luzes.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A TENDA DOS BLOGUEIROS - Festina Lente: "lu cuntu num metti tempu"

"Baixo-ajuda"-Microconto monofrásico, dez palavras

Ânsia por tempo tem importância não, escreveu. A ansiedade baixou.

(Ouça leitura no www.gengibre.com.br , CANAL> LITERATURA > araujobueno)


Do Blog doMarco Antônio Araújo Bueno


http://www.literaujobueno.blogspot.com/


HAI-KAIS - 15º TERCETO


Enzo Carlo Barrocco



Um asno pastando,

a chuva que se aproxima -

estrada de terra.


***


A manhã nublada,

às margens da estrada o verde

dos mandiocais.


***


Um bando de garças

na galharia do mangue.

Tarde de outubro.


NOTAS PEQUENAS – AGORA “IMPERA A DOR”


Croniquetas


por Enzo Carlo Barrocco



Adriano: Um imperador em crise.

É de se lamentar o que está acontecendo com o craque Adriano. Jogador da Seleção Brasileira, Internazionale da Itália, famoso rico, no entanto a fama e o dinheiro mexeram com a cabeça do menino do subúrbio do Rio. Adriano não pensa que a carreira de jogador de futebol acaba num átimo e que um dia todos os holofotes estarão apagados. Quantos jogadores não sonham em jogar na Europa, num grande clube italiano, assim como na Seleção Brasileira. Quantos não gostariam de ganhar muito dinheiro e serem famosos. O “imperador”, com tudo isso nas mãos, por falta de uma cabeça assentada, subestima as oportunidades que a vida está proporcionando a ele. Façamos votos para que Adriano reflita e continue dando orgulho e a vida cômoda a sua família.


quinta-feira, 9 de abril de 2009

O DIÁRIO DOS PENSADORES - PÁGINA N° 37



Se você for dolorosamente temeroso em relação a idade, ela se mostrará mais.

- Jeanne Moreau (Paris 1928) atriz francesa


Nunca, nunca, nunca, nunca se entreguem.

- Winston Churchill (Woodstock 1874 – Londres 1965) político e

historiador inglês


Ensina-me a arte de esquecer.

- Marco Túlio Cícero (Arpino 106 – Roma 43 a C.) filósofo, orador e político romano


Dura no peito arde a límpida verdade de nossos erros.

- Thiago de Melo (Bom Socorro, distrito do município de Barreirinha 1926) poeta amazonense


O poeta é uma mentira que sempre diz a verdade.

- Jean Cocteau (Maison Laffitte 1889 - Milly la Forêt 1963) poeta, dramaturgo, novelista e cineasta francês


Nunca fui escritor profissional. Mas camelô. Ah, nisso eu sou bom! Vendo meus livros, dou autógrafos e prometo morrer logo para valorizá-los

- Plínio Marcos (Santos 1935 – São Paulo 1999) dramaturgo, ator e ensaísta paulista


Se eu soubesse o que estou fazendo, eu não faria.

- Hélio Oiticica (Rio de Janeiro 1937 – Idem 1980) artista plástico fluminense


O dinheiro não traz a felicidade de quem não possui.

- Boris Vian (Ville d'Avray 1920 – Paris 1959) poeta, novelista, dramaturgo e músico francês


Gentileza tem mais efeito que a severidade.

- Esopo (Frigia 620 – Idem 560 a C.) fabulista grego


A ameaça do mais forte me faz sempre passar para o lado do mais fraco.

- François Chateaubriand (Saint-Malo 1768 – Paris 1848) ensaísta e político francês


O amor é como sarampo. Todos temos que passar por ele.

- Jerome K. Jerome (Walsall 1859 - Northampton 1927) novelista e dramaturgo inglês


Música é o amor em busca de uma palavra.

- Sidney Lanier (Macon 1842 - Lynn 1881) músico e poeta americano



terça-feira, 7 de abril de 2009

LUAS DE AJURUTEUA - CANTO N° 6


Enzo Carlo Barrocco


PEDAÇOS DE CÉU E MAR

Vem um sol se derramando
sobre meu vasto pomar,
vê-se na bela paisagem
pedaços de céu e mar.


DOSAGEM

Uma trova para ser bela
e conter eternidade,
dose algo de mentira
a uma porção de verdade.


LUA MORENA

Por trás da minha morada
surge uma lua morena
mais bela e mais deslumbrante
que a do céu de Viena.


CATÁSTROFES

De um lado grandes enchentes,
de outro seca voraz.
Destruir este planeta
o homem será capaz?


AS MARÉS DO VER-O-PESO

Em março a chuva nos traz
noites feias sem luar,
traz, também, altas marés,
inundando o Bulevar.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

HAI-KAIS - 14º TERCETO

Enzo Carlo Barrocco



Um cão na calçada,
o orvalho teima na folha:
amanhecendo.


**


Um beija-flor,
três touceiras de tílias –
vento rasteiro.


**


Asas abertas –
a joaninha na folha
ensaia um vôo.


quinta-feira, 2 de abril de 2009

A UMA POETA QUE CONHECI ONTEM


Enzo Carlo Barrocco



Lilian Maial e Rosa Pena



À Lilian Maial


São teus poemas
lindas canções;
na curva da estrada simples,
sob o sol que se deita breve,
configurações.

O vento desfaz
teus cabelos
na primeira hora,
pelo que percebo, certamente,
foste moldada no fulgor da aurora.

Tens um caminho,
tens um destino,
tens uma meta.
Mas já dominas o vento, a chuva, a tempestade;
és poeta!


quarta-feira, 1 de abril de 2009

INVENÇÃO


Enzo Carlo Barrocco

Casas em Auvers
Vicent Van Gog0h

Voa a vida
ao vento
invento moda
agito a soda
escrevo o que não possas crer.

Que vá o sopro que me importa
aumento a dívida
invento a vida
ao vento a vida voa.