sexta-feira, 30 de maio de 2008

MANCHETE

Miniconto

por Enzo Carlo Barrocco




A BR é muito perigosa! Você sabe aquele telefone público na parede do Posto Carducci? Pois é! Panin que se preparava para telefonar, nem sentiu a pancada. A traseira da carreta desgovernada, antes de jogá-lo contra a parede, arrastou a banca do ambulante que atendia, naquele momento, uma senhora. Quando passei para o trabalho na Rua Ledo Saavedra percebi pelo pessoal aglomerado que se tratava de um velório. Fui saber de tudo no outro dia à tarde. Panin está no pronto-socorro por debaixo de achas. O ambulante e a freguesa, infelizmente...

JOVINO MACHADO: O POETA DAS GERAIS


Jovino Machado
(Formiga 1963)
Poeta mineiro

canções de senzala

encontrei o bardo
tomaz antônio gonzaga
que ao som da sanfona
do sanfoneiro que falava pouco
bebia muito e tocava demais
me contou sobre a ternura de Marília
me convidou para mais um trago
eu aceitei: tim tim...
me disse que a vertigem da poesia
começa justamente onde termina a morbidez
de barba por fazer
afrouxou o nó da gravata
como um ilustre fidalgo
cantou canções de senzala
disse que sentia enjoado de conspirações
e pediu mais vinho
ajeitou o chapéu e me convidou
pra subir e descer ladeiras
saímos sem pagar a conta.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

AS TRÊS MENINAS

Enzo Carlo Barrocco


Foto: Enzo Carlo Barrocco


AS TRÊS MENINAS


As três meninas surgiram assim:

primeiro a menina calma,
com seus olhos claros;
flava, melancólica,
como uma lua nascendo sobre a madrugada.

Em seguida a menina grave,
com seus olhos sérios;
sóbria, forte,
consistente,
como um sol nascendo sobre as pradarias.

E, por fim, a menina terna,
com seus olhos falazes;
franca, alegre,
insubordinada,

como um cometa varando a noite eterna.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

IGAPÓ


FOLHAS DE ESTANHO

JOSÉ ALOISE BAHIA: O POETA DE “PAVIOS CURTOS”


José Aloise Bahia
(Bambuí 1961)

Poeta, cronista, ensaísta, resenhista, crítico literário e jornalista mineiro


Noturno azul e vermelho

Foi assim no vosso convívio
um hóspede passageiro,
obscuro como uma casa
sem portas e janelas,
escravo do passado
atados a nós amargos.

Tão longe, uma agonia
num adorno de aparências,
e no seu mundo invisível
asas pela metade em azul
cobalto, um medo
incompreendido.

Dividido e fugidio,
não morto, evasivo,
sem se deixar ser observado,
escondido nuns óculos escuros,
desertor de alguma guerra
ou de alguma luta.

Não se sabe o motivo
deste outro ser,
que suspira um ar,
que busca na superfície
onde permeia a latência,
um desejo vermelho sangue.

Que está convosco
numa vontade de viver
e sentir na realidade
este sonho inconsciente,
que procura sem cessar,
uma satisfação jamais vista.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

SEXO NAS SACRISTIAS – OS PECADOS DA IGREJA

Resenha

por Enzo Carlo Barrocco




O Crime do Padre Amaro: Os poderes ocultos da igreja católica

Ao ser publicado pela primeira vez em 1875, “O Crime do Padre Amaro” (L&PM, 2006, 391 páginas), o primeiro grande romance de Eça, causou gritos e protestos da igreja católica incomodada com as denúncias explícitas narradas por ele. Este romance introduziu em Portugal o realismo-naturalismo, sendo um divisor de águas na literatura portuguesa. Uma obra-prima que, inclusive, se tornou um documento humano e social de uma época, visto que a História confirma todas as denúncias feitas por Eça. O falso moralismo, a vida abastada dos clérigos, a hipocrisia burguesa e os abusos em todos os setores da igreja são as feridas que o autor fustiga. O romance é narrado na terceira pessoa e toda a história se passa em Leiria, interior de Portugal onde Eça, por algum tempo foi administrador do Concelho, daí ter escolhida a pequena vila como pano de fundo, para uma de suas obras-primas. A crítica de Eça de Queiroz não se dirige apenas ao provincianismo da Vila de Leiria, mas a todo Portugal e à sociedade da época. Se hoje a igreja católica comete absurdos, como se vê a toda hora na televisão, chegando ao ponto de até crime de pedofilia pelas altas autoridades do clero, imagine há cento e tantos anos. Amaro, portanto, é o padre recém-formado que é destacado para a paróquia de Vila de Leiria em substituição ao antigo pároco que falecera. Instalado na vila, Amaro se apaixona por Amélia, jovem filha da dona da casa onde Amaro alugara um quarto. Ao descobrir que o seu conselheiro e confidente amigo, Cônego Dias, tem um caso amoroso com S. Joaneira, mãe de Amélia, o padre Amaro se vê no direito de, também, ter uma amante. Daí por diante Amaro se envolve sexualmente com Amélia desencadeando situações inesperadas. Por fim, Amélia fica gestante e diante do desespero do padre, é levada à Ricoça, a propriedade rural do Cônego Dias, onde ficaria longe dos olhares de todos. No parto, porém, Amélia morre por convulsões, embora a criança tenha nascido com saúde. Uma história bem urdida, com a genialidade de Eça de Queiroz que, depois desse grande trabalho, escreveria mais algumas excelentes narrativas. Eu particularmente já li este livro quatro vezes e sempre com o entusiasmo da primeira leitura.


TEXTO DO LIVRO O CRIME DO PADRE AMARO

Foi no domingo de Páscoa que se soube em Leiria, que o pároco da Sé, José Miguéis, tinha morrido de madrugada com uma apoplexia. O pároco era um homem sangüíneo e nutrido, que passava entre o clero diocesano pelo comilão dos comilões. Contavam-se histórias singulares da sua voracidade. O Carlos da Botica — que o detestava — costumava dizer, sempre que o via sair depois da sesta, com a face afogueada de sangue, muito enfartado:
— Lá vai a jibóia esmoer. Um dia estoura!
Com efeito estourou, depois de uma ceia de peixe — à hora em que defronte, na casa do doutor Godinho que fazia anos, se polcava com alarido. Ninguém o lamentou, e foi pouca gente ao seu enterro. Em geral não era estimado. Era um aldeão; tinha os modos e os pulsos de um cavador, a voz rouca, cabelos nos ouvidos, palavras muito rudes.
Nunca fora querido das devotas; arrotava no confessionário, e, tendo vivido sempre em freguesias da aldeia ou da serra, não compreendia certas sensibilidades requintadas da devoção: perdera por isso, logo ao princípio, quase todas as confessadas, que tinham passado para o polido padre Gusmão, tão cheio de lábia!
E quando as beatas, que lhe eram fiéis, lhe iam falar de escrúpulos de visões, José Miguéis escandalizava-as, rosnando:
— Ora histórias, santinha! Peça juízo a Deus! Mais miolo na bola!
As exagerações dos jejuns sobretudo irritavam-no:
— Coma-lhe e beba-lhe, costumava gritar, coma-lhe e beba-lhe, criatura!
Era miguelista — e os partidos liberais, as suas opiniões, os seus jornais enchiam-no duma cólera irracionável:
— Cacete! cacete! exclamava, meneando o seu enorme guarda-sol vermelho.

(...)


sexta-feira, 23 de maio de 2008

Enzo Carlo Barrocco



Foto: Carlos Barretto

Diante da tua insensatez
observo o lirismo das telhas quebradas,
as linhas paralelas dos fios elétricos,
a luz vazada nas vidraças das janelas.

Repousam poemas nos teus olhos:
buracos pelas ruas,
mulheres... palavras desconexas,
colisões de sons – televisores, cachorros, liquidificadores, rádios...

Sem que possas perceber
esvai-se o tempo, esvai-se a vida, esvaem-se as pessoas.
Põe sentido em tudo que olhares,
possa ser esse olhar o derradeiro.


terça-feira, 20 de maio de 2008

AS EMBARCAÇÕES

Enzo Carlo Barrocco




















São luas carnais teus olhos,
luas que se escondem,
luas que se vão.

Não se demore nessa viagem súbita,
aponta a tua escuna para a terra,
estou neste porto
à espera dessas luas.

Os meus olhos, planetas extintos
esquadrinham a baía;
ando a perscrutar as embarcações.

UMA FLOR DO CANTEIRO DE JORGE


Jorge Lúcio de Campos
(Rio de Janeiro 1958)
Poeta Fluminense

MIRAGEM

Não vejo como prever
a pele despida, funámbula

com detalhes de âncoras
e arpejos de sol

apesar seja estranho
o riso triste, pousado

nos lábios – o olhar
distante, bifurcado

encharcado
de mar

segunda-feira, 19 de maio de 2008

JIRAU DIVERSO N° 25

JIRAU DIVERSO
Nº 25– março.2008
por Enzo Carlo Barrocco

A POESIA NICARAGUENSE DE SALOMÓN DE LA SELVA

O POEMA

A Bala

A bala que me fira
será bala com alma.
A alma dessa bala
será como seria
a canção de uma rosa
se cantassem as flores
ou o olor de um topázio
se cheirassem as pedras
ou a pele de uma música
se nos fosse possível
as cantigas tocar
desnudas com as mãos.
Se o cérebro me fere
me dirá: Eu buscava
sondar teu pensamento.
E se me fere o peito
me dirá: Eu queria
dizer-te que te quero!

O POETA

Salomón de La Selva, poeta e ativista político nicaragüense (Leon 1893 – Paris, França 1958) é um dos mais representativos poetas da Nicarágua do século passado. Aos 13 anos mudou-se para os Estados Unidos onde, mais adiante, travou contato com alguns poetas americanos mais conhecidos na época. Participou de várias antologias americanas. Seu primeiro livro de poesias, Tropical Town And Other Poems, foi publicado em inglês. Portanto, La Selva é um dos mais importantes poetas das Américas da primeira metade do Século XX.

***

ESTANTE DE ACRÍLICO

Livros Sugestionáveis

Figuras Anônimas (Poesias)
Autor : Silva Barreto
Edição: Ícone Editora
O poema-homenagem, o poema filosófico, o poema claro. Barreto, neste livro, se empenha em mostrar que a palavra poética tem uma força excepcional.

A Vida Como ela é...(O Homem Fiel e Outros Contos)
Autor: Nelson Rodrigues
Edição: Companhia das Letras
As famosíssimas estórias de Nelson Rodrigues levadas para a televisão e até para o cinema. Amor, paixão, sexo e morte são os ingredientes que dão a elas excelentes sabores.

Hóspede da Utopia (Romance)
Autor: Fernando Gabeira
Edição: Editora Nova Fronteira
Gabeira, hoje deputado federal, nos idos da década de 1980 defendendo a teoria de que a liberdade ainda cabe em um país repressivo e opressivo como o nosso.

***

A FRASE DI/VERSA

- Aquele que luta tem o que esperar. Onde há luta, há coroa.
. Santo Ambrósio (Tréveros 340 – Milão 397) jurista, literato cristão e religioso italiano, santo da Igreja Católica.

***

DA LAVRA MINHA

NÃO HÁ DOÇURA NO CORTE DA CANA

Enzo Carlo Barrocco

O sol causticante dos canaviais,
o suor,
o pico da folha da planta,
o gume
do facão.

Os homens cansados da lida,
as mulheres cansadas da lida.

Nenhuma nuvem se arma
no céu,
a lâmina suspensa no ar...
Não há doçura
no corte da cana.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

ATIRADOR DE ELITE


Miniconto

por Enzo Carlo Barrocco


- Pergunte a ela! – sugeriu o vendedor.
“Que mulher bonita!” – pensei comigo.
Não perguntei nada, mas como sou atirador de elite, uma semana depois a levei a um motel barato.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

O DIÁRIO DOS PENSADORES N° 26

O turfe não é um jogo de azar. A gente joga sabendo que vai perder.
- Leon Eliachar (Cairo 1923 – Rio de Janeiro 1987) contista, cronista e humorista brasileiro nascido no Egito

A natureza arma todos os homens com alguma faculdade que lhe permite realizar facilmente alguma façanha impossível a qualquer outro.
- Ralph Waldo Emerson (Boston 1803 – Concord 1882) poeta, filósofo e ensaísta americano

O homem é rico desde que se familiariza com a pobreza.
- Epicuro (Samos 341 a.C. – Atenas 270 a C.) filósofo grego

Cada um de nós é um abismo. A cabeça anda-nos à roda quando olhamos lá para o fundo.
- Georg Büchner (Hesse-Darmstadt 1813 – Zurique, Suíça 1837) dramaturgo alemão

Nenhum gesto de gentileza, por menor que seja, é perdido.
- Esopo (Frigia 620 a.C. – Idem 560 a C.) fabulista grego

A união faz a força? Não só. A união tem a força.
- Millôr Fernandes (Rio de Janeiro 1924) poeta, dramaturgo, jornalista e humorista fluminense

O trabalho de cada homem seja na literatura, música, pintura, arquitetura ou qualquer outra arte é sempre um retrato de dele mesmo.
- Samuel Butler (Strensham 1600 – Londres 1680) romancista e filósofo inglês

Todos os homens pequenos, superpostos, não formam um grande homem.
- Carlos Drummond de Andrade (Itabira 1902 – Rio de Janeiro 1987) poeta, cronista e contista mineiro

Na mulher o sexo corrige a banalidade. No homem agrava-a.
- Machado de Assis (Rio de Janeiro 1829 – Idem 1908) poeta, contista, romancista, dramaturgo e ensaísta fluminense

O estilo é uma forma de pensar.
- Gustave Flaubert (Rouen 1821 – Croisset 1880) romancista francês

Princípios da eficiência. Não temer o futuro e nem idolatrar o passado. O passado só nos serve para mostrar nossas falhas e fornecer indicações para o progresso do futuro.
- Henry Ford (Greenfield 1863 - Dearborn 1947) industrial e cientista americano

quarta-feira, 14 de maio de 2008

ANJINHO

Enzo Carlo Barrocco




























...muito bem, menino sujo,
anjo preto, pequenino,
tens um único destino.

Anjinho de belas asas,
sem laivos no coração
nesta pequena canção
lividamente perpassas. 

Menino preto, berilo,
anjinho sem Deus, nem céu,
embrulhadinho em papel
de jornal dorme tranquilo. 

Muito bem, menino sujo,
anjo preto, pequenino,
tens um único destino...

terça-feira, 13 de maio de 2008

A POESIA DE JORGE FERNANDO DOS SANTOS: O AMIGO DAS CELEBRIDADES


Jorge Fernando dos Santos
(Belo Horizonte, 1956)
Poeta mineiro

Soneto Sertanejo


Sertão é dentro da gente
Ser tão sozinho me dói
Rio que já fez enchente
A seca hoje corrói

Na seara dessa vida
Ceará é o meu Saara
Um mar de areia moída
Que o vento sopra e não para

Peixe não é passarinho
Se tropeço numa pedra
Dessas que têm no caminho

Lembro a navalha e a seda
Iguais à flor e ao espinho
Margens da mesma vereda.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

RENATO E SEUS BLUE CAPS E A MÚSICA NO JIRAU



Título: 20 Super Sucessos
Intérpretes: Renato e Seus Blue Caps
Gravadora: Polidisc

A gravadora Polidisc, dentro do seu projeto “20 Super Sucessos” também presenteou o Grupo Renato e Seus Blue Caps com vinte canções da carreira da banda, que não são poucas, por sinal. Os irmãos Renato, Edson e Paulo César moradores do bairro da Piedade, no Rio, formaram a banda no início dos anos 1960. Aliás, o primeiro nome da banda foi Bacaninhas do Rock da Piedade que foi, não se sabe por que, censurado na época. Renato e seus pupilos se apresentaram em vários programas de rádio e televisão, como Os Brotos Comandam, na antiga TV Rio, que era apresentado pelo cantor e compositor espírito-santense Carlos Imperial (Cachoeiro do Itapemirim 1935 – Rio de Janeiro 1992) . O primeiro compacto foi gravado em 1962. Em 1963, Edson saiu do grupo e foi tentar carreira solo com o nome de Ed Wilson. Entra em cena, para o lugar de Edson, um certo Erasmo Carlos, que saiu logo em seguida. Tony e mais tarde Gelson (bateria), Carlinhos (guitarra) e Cid (saxofone) completavam o quinteto. Pois bem! A seleção musical deste CD traz algumas versões que eram a marca registrada de Renato Barros, com a preciosa ajuda de Rossini Pinto, mestre em transformar pérolas estrangeiras em versões para o português. Essa seleção traz verdadeiros clássicos da carreira do grupo. Como: Meu Bem Não Me Quer (Sid Herring/Renato Barros), Darling, Darling (Penny/Rossini Pinto), Não Vá embora sem me Dizer (Renato Barros), Coitadinha de Você (Marcos Torraca), Faça o Que Digo Mas Não Faça o Que Eu Faço (Gil/Jean), Quando a Cidade Dorme (Leno), Será Mentira ou Será Verdade (Salvador Bellone / Versão: Pedrinho). Mauro Mota dá a sua contribuição em Eu Não Aceito Teu Adeus, em parceria com Renato Barros. Raul Seixas, veja só!, quando ainda se assinava Raulzito aparece na composição de duas canções: Obrigado Pela Atenção e Playboy, esta em parceria com Pedro Paulo. São músicas com a marca registrada do movimento da Jovem Guarda e a batida inconfundível desta banda que ainda faz shows por aí reeditando seus antigos sucessos.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

O POEMA BAIANO DE JOÃO FERNANDES FILHO


João Fernandes Filho

(Bom Jesus da Lapa 1975)
Poeta baiano

O DIA DE DEUS

O dia de Deus é branco
sumo de semana que nunca acaba
não é memória que luz
é cegante em sua claridade
que desconforta todo nascido

O dia de Deus é duro
de matéria só de minério
pode ser porrada ou pontiagudo
o seu ingastável é prejuízo
não de tempo-lucro

O dia de Deus é burro
Carga que quebra carroça
por não suportá-lo nem persuadi-lo
depois do peso o soldo —
capim, sal e algum líquido

segunda-feira, 5 de maio de 2008

JIRAU DIVERSO N° 24

JIRAU DIVERSO
Nº 24 – fevereiro.2008
por Enzo Carlo Barrocco


A POESIA AMAPAENSE DE ALCINÉA CAVALCANTE

O POEMA


ESPERANÇA

Há de chegar o dia
em que descobrirás
que a ternura é azul
e o amor
tem as cores do teu sonho.
Neste dia
eu estarei à tua espera
com as mãos
cheias de arco-íris.

A POETA

Alcinéa Cavalcante, amapaense de Macapá, poeta, cronista e jornalista, no convés da fragata desde 1956, até agora tem dois livros publicados (“Dez Poemas” e “Estrela Azul”) e já participou de várias coletâneas e antologias. Como jornalista, Alcinéa é uma incansável denunciadora dos desmandos dos políticos do Estado do Amapá sendo, inclusive, processada por alguns deles. Mas Alcinéa não se cala e leva, brilhantemente, sua luta adiante. Avante Alcinéa, bela voz da poesia amapaense!

***

ESTANTE DE ACRÍLICO

Livros Sugestionáveis

O Paraíso do Vira-bosta (ensaio)
Autor : Emil Farhat
Edição: T.A. Queiroz, Editor
Uma abordagem sobre os vícios e os viciosos do funcionalismo que não estão só em Brasília, mas em todo o Brasil. A saga dos espertalhões que se ancoraram no serviço publico para fraudar o estado brasileiro.

O Canto dos Meus Cantares (Poesia)
Autor: Manoel Bispo Correa
Edição do Autor
O paraense Manoel Bispo Correa mostra uma poesia centrada no subjetivismo. Sua escrita, em alguns poemas, beira o cordel evocando a rima e o ritmo peculiares daquele gênero. É a poesia do norte do Brasil fazendo-se notar.

Os Palmitais (Romance)
Autor: Sant’ana Pereira
Edição: Editora Cejup
A ganância das grandes empresas da Amazônia é contada neste romance que veio a propósito, já que a devastação impera neste pedaço do Brasil sem que ninguém tome providências.

***

A FRASE DI/VERSA

Não me faças sonhar... que meu sonho transborda!
Eu sou bem um boneco a quem se dando corda
Não se pode deter.
. Giuseppe Ghiaroni (Paraíba do Sul 1919) poeta e jornalista mineiro

***

DA LAVRA MINHA


O SÚBITO VÔO DA PIPIRA IMPRUDENTE

Enzo Carlo Barrocco

O gato sobre o muro
observa a pipira incauta
no galho da papoula.

Sombras no quintal,
um vento,
a um canto garrafas emborcadas.

Um velho poço à esquerda,
roupas no varal,
o súbito vôo da pipira imprudente.


sexta-feira, 2 de maio de 2008

O DIÁRIO DOS PENSADORES N° 25

A maneira mais eficaz de desestabilizar uma sociedade e esmagar a sua classe média.
- Mário Henrique Simonsen (Rio de Janeiro 1934 – Idem 1996)
político e economista fluminense

Três jornais me fazem mais medo que cem mil baionetas.
- Napoleão Bonaparte (Ajaccio, ilha mediterrânea da Córsega 1769 – ilha de Santa Helena, oceano Atlântico - na altura da Namíbia 1821) militar e imperador francês

Tartarugas conhecem as estradas melhor do que os coelhos.
- Kahlil Gibran (Bsharri 1883 – Nova York 1931) poeta libanês

Se aos vinte anos soubessem por que doloroso preço se paga à vaidade do primeiro livro, quantos manuscritos inúteis crepitariam no fogo do amanhã!
- Júlio Dantas (Lagos 1876 – Lisboa 1962) poeta, contista, romancista, dramaturgo, cronista, ensaísta e jornalista português

Há pessoas silenciosas que são muito mais interessantes que os melhores oradores.
- Benjamin Disraeli (Londres 1804 – Idem 1881) político inglês

O homem gosta de contabilizar os problemas, mas não conta as alegrias.
- Fiodor Dostoievski (Moscou 1821 – São Petersburgo 1881) romancista russo

A sensação do risco é atraente. O desafio é buscar novos limites
- Airton Senna (São Paulo 1960 – Em um acidente numa corrida de Fórmula 1 em Ímola, Itália 1994) piloto paulista de automobilismo, três vezes campeão mundial de Fórmula 1

Governar é fazer acreditar.
- Niccolo Machiavelli (Florença 1469 – Idem 1527) político, filósofo e ensaísta italiano

Tudo acontece para aqueles que se apressam enquanto esperam.
- Thomas Edison (Milan 1847 - West Orange 1931) cientista americano, entre outros inventou a luz elétrica

É impossível ensinar a um gato a não pegar passarinhos.
- Albert Einstein (Ulm 1879 – Princenton , EUA 1955) físico americano nascido na Alemanha, o maior gênio do século XX

Nunca é tarde para você ser o que você poderia ter sido.
- George Eliot (Chilvers Coton 1819 – Londres 1880) novelista e romancista inglesa

Se quiser ser escritor, escreva!
- Epicteto (Hierápolis 50 – Nilópolis, Império Romano 130) filósofo grego

UMA FLOR DO CANTEIRO DE IACYR


IACYR ANDERSON FREITAS
(Patrocínio do Muriaé, 1963)
Poeta e ensaísta mineiro


NO JARDIM

foi o dia
com sua coluna
e seu cacto?

foi a nuvem?

ou será essa ausência
essa dor de coisa gasta
que se esgarça no sono
e passa?