sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

ANJOS PELA TARDE

Enzo Carlo Barrocco





















Pela tarde
os anjos se demoram,
alvas mãos, faces reluzentes;
não tarda a noite sobre a paisagem
os frutos se apoderam do silêncio.
 
Posto que os anjos deixam
rastros tênues sobre as lígunas do tempo;
é belo o azul que procede dos seus passos,
é bela a tarde que se verga sobre nós.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

ELSON FRÓES: UM POETA


Elson Fróes
(São Paulo 1963)
Poeta paulista

Caro seja meu canto,
o que desejo é flama
que arde neste ar.
O que desejo arde
em flama neste ar
de canto sem encanto.

Se o pensar se evola,
seja volátil este ar
de amar em flamas.
Seja volátil amar
neste ar em flamas
que o coração labora.

Canto de amor agora
se já evola em flamas
o que desejo neste ar.
Seja volátil o desejo
em flamas neste ar
de acender o que adora.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O ENGRAVATADO

Miniconto

por Enzo Carlo Barrocco




















Quando subi para o ônibus na Rua Vinho Novo ainda tinha um lugar vago nas cadeiras de trás. Passei a roleta e sentei ao lado de um distinto senhor de paletó e gravata, bem apessoado, cabelo certinho e uma pasta tipo presidente colocada no chão do ônibus. Naquele dia eu só tinha o dinheiro da passagem de ida; iria emprestar de algum colega para voltar a casa. Na Avenida Souza Paiva, o distinto senhor pediu licença para passar, pois, naturalmente, iria descer. Virei de lado, o homem passou e puxou a campainha. Quando o ônibus parou percebi que o engravatado tinha esquecido a pasta. Chamei-o imediatamente; ele pôs a mão na cabeça e entreguei-lhe a pasta e ele convidou-me a descer. Será que ele quer me recompensar? Foi o que me veio à cabeça. Desci, claro, com certa alegria, pois qualquer quantia, àquela altura, seria muito bem-vinda. O homem pegou minha mão e agradeceu-me várias vezes, penhoradamente, dizendo que ali tinha documentos importantes, etc.etc. E eu esperando a recompensa. De repente, o homem dá sinal para um táxi que parou e, agradecendo-me, pela última vez, o biltre entrou no carro e foi embora. Fiquei ali, a uns três quilômetros do meu trabalho, sem dinheiro, sol alto, calor insuportável, atrasado e atônito.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

PÁSSARO VOLÚVEL

Enzo Carlo Barrocco





















Sou volúvel! Permita-me que eu seja!
Pássaro branco sem o pouso certo,
pois teu corpo assim, assim tão perto
dá-me a concessão para que eu seja

inconstante, leviano, infido.
Neste momento, nesta exata hora,
meus olhos lúbricos caem dentro, agora,
de outros olhos que percebo vindo

e como uma bela tentação me segue.
A cada tempo um novo par de seios,
um novo par de coxas a cada instante.

E desse feixe de papoulas pardas
vou guardando a luz inebriante
com a qual me acendo às madrugadas.

A POESIA MELANCÓLICA DE SYLVIA PLATH


Sylvia Plath (Jamaica Plain, Massachusetts, 1932 — Londres 1963)
Poeta, romancista e contista americana

PAPOULAS DE JULHO

Ó papoulinhas, pequenas flamas do inferno,
Então não fazem mal?

Vocês vibram. É impossível tocá-las.
Eu ponho as mãos entre as flamas. Nada me queima.

E me fatiga ficar a olhá-las
Assim vibrantes, enrugadas e rubras, como a pele de uma boca.

Uma boca sangrando.
Pequenas franjas sangrentas!

Há vapores que não posso tocar.
Onde estão os narcóticos, as repugnantes cápsulas?

Se eu pudesse sangrar, ou dormir!
Se minha boca pudesse unir-se a tal ferida!

Ou que seus licores filtrem-se em mim, nessa cápsula de vidro,
Entorpecendo e apaziguando.
Mas sem cor. Sem cor alguma.

Tradução:
Afonso Félix de Souza.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

ALCEU VALENÇA E A MÚSICA NO JIRAU

Resenha
por Enzo Carlo Barrocco



TÍTULO: LEQUE MOLEQUE
INTÉRPRETE: ALCEU VALENÇA
GRAVADORA: RCA VICTOR (1987)

Leque Moleque, talvez, seja um dos trabalhos mais importantes de Alceu Valença, poeta pernambucano. Escolheu a música (ou foi a música que o escolheu?) para que sua sensibilidade fosse mais apreciada. Letras belíssimas aliadas a sua interpretação única nos causam a sensação de puro prazer. Destaque para as músicas Bobo da Corte (Alceu Valença), O P da Paixão (Alceu Valença), Leque Moleque (Carlos Fernando e Alceu Valença), Girassol (Alceu Valença) Íris (Alceu Valença). Acompanhado de músicos como Tavinho (Teclados), Wilson Meireles (Bateria), Sidinho (Percussão), Hirashi Honda (guitarra), Eduim (atabaque) e o saudoso Rafael Rabelo (guitarras, violão de aço), falecido em 1995, o disco realmente é uma verdadeira raridade. Rildo Hora ainda empresta seu talento à música Girassol. Os dois primeiros versos da música Leque Moleque já nos faz perceber a linha poética de Alceu: “Primeiro a luz e o verbo / depois reluz invenção...

AS MULHERES NUAS

Enzo Carlo Barrocco




Dos meus olhos impuros
descubro a via ápia
das curvas que existem no teu semblante.

Acontece tudo o que se imagina;
estrada que segue
entre milharais e
este céu flavo; tarde nos meus cabelos.

As mulheres nuas dançam
sobre um tapete
imaginadas agora dentro de mim.

O que se passa nos lugares
onde meus olhos não alcançam?
Ainda estou longe de me tornar um anjo...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

EDIMILSON DE ALMEIDA PEREIRA O POETA DAS GERAIS


EDIMILSON DE ALMEIDA PEREIRA
Juiz de Fora 1963
Poeta e ensaísta mineiro


QUADRA

Serpentina alguma morre no ar
e a folia não queda no escuro.
Um temor envolve toda alegria
e o esquecimento vigia sua eternidade.
A morte na folia ama a serpentina
e nem separa a vida de seu destino.
Em quadra ficam os dias, o amor cansado da
alegria, em quadra um desejo no teto,
deidade no templo.

A LANTERNA DOS LUMIÈRE - ALAN RICKMAN E MOS DEF SÃO QUASE DEUSES

Resenha
por Enzo Carlo Barrocco

TENACIDADE É A PALAVRA-CHAVE.



Filme: Quase Deuses (Something the Lord Made), Drama, 110 minutos, EUA (2004). Direção: Joseph Sargent. Com: Alan Rickman, Mos Def, Kyra Sedgwick, Merritt Wever, Doug Olear, David Bailey, Nat Benchley, Gabrielle Union

A época da Depressão americana, Viven Thomas (Def), um jovem negro, perde todo o dinheiro que tinha juntado para pagar a faculdade de medicina. Como faxineiro de um pesquisador, Vivien descobre realmente seu talento para a área médica. Trabalhando na Universidade Johns Hopkins, ao lado do doutor Alfred Blalock (Rickman), Viven se torna, depois de inúmeras decepções, um excelente professor, sendo, inclusive, já com a idade avançada, agraciado com o título de doutor. Excelente atuação de Mos Def. Esse filme, fruto de uma história real, foi realizado originariamente para a TV americana.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

OS ANIMAIS: NOSSOS IRMÃOS DE PLANETA

Crônica

por Enzo Carlo Barrocco

















"Arca de Noé" 
Edvard Hicks (1780 - 1849) pintor americano 
Philadelphia Museum of Arte

Todos nós que comemos carne, seja de que espécie de animal for, estamos, sumariamente, fadados às hostes do inferno. Mas chegará o tempo, tenho plena certeza, que o homem não precisará mais se valer dos nossos irmãos de planeta para saciar a sua primordial necessidade física. Vem-me a lembrança, a propósito, uma frase do grande José do Patrocínio, poeta, romancista, orador e jornalista fluminense (Campos 1854 – Rio de Janeiro 1905), abolicionista de primeira ordem, que dizia: “Tenho pelos animais um respeito egípcio, penso que eles têm alma, ainda que rudimentar e que eles têm conscientemente revoltas contra a injustiça humana”. Eu particularmente fico indignado quando tomo conhecimento que algum animal foi alvo de mal-tratos. A Sociedade Protetora dos Animais, juntamente com outros órgãos do governo, deveriam fiscalizar de maneira ostensiva para que se coíba esse tipo de procedimento. As estâncias de materiais de construção, principalmente, usam veículos de tração animal para o transporte de material, como: pedra, areia, cimento, madeiras, etc. É muito triste ver que depois de tantos anos de trabalho sob a tirania do chicote, os animais velhos, cansados e aleijados sejam soltos à própria sorte. Cuide e trate bem os nossos amigos ditos irracionais, pois veja bem: é infinitamente pior maltratar um animal do que uma pessoa, porque a pessoa pode até se revoltar e te dar um tiro na cara, mas o animal, não; este vai se esconder com medo do que tu possas fazer com ele. Portanto deixa o animal silvestre na natureza, é lá que ele vive bem. Trata bem o teu animal doméstico! Não incitas o animal selvagem! Iguanas, cobras e algumas espécies de ratos não são animais de estimação, e sim, animais que precisam viver livremente na natureza. Lembra-te: enquanto, muitas vezes, estás na igreja pedindo pela tua alma e pela tua saúde, um animal está sendo sacrificado para o teu almoço.

O DIÁRIO DOS PENSADORES - PÁGINA 20


Para ensinar há uma formalidade a cumprir: saber.
- Eça de Queiroz (Povoa do Varzim 1844 – Paris 1900) contista
e romancista português

A liberdade não é uma concessão, mas uma vitória de cada dia.
- Jânio Quadros (Campo Grande, então Estado de Mato Grosso 1917 – São Paulo 1922) político mato-grossense, ex-presidente da República

Cada coisa tem sua hora e cada hora o seu caminho.
- Raquel de Queiroz (Fortaleza 1910 – Rio de Janeiro 2003) contista, romancista, dramaturga e cronista cearense

O que dizemos nem sempre é parecido com o que somos.
- Jorge Luis Borges (Buenos Aires 1899 – Genebra, Suíça 1986) poeta, contista e ensaísta argentino

Da raivosa paixão que resulta do ciúme, só os ciumentos podem falar adequadamente.
- Francisco de Quevedo y Villegas (Madri 1580 – Villanueva de los Infantes 1645) poeta espanhol

A alma é essa coisa que pergunta se a alma existe.
- Mário Quintana (Alegrete 1906 – Porto Alegre 1994) poeta, contista e jornalista gaúcho

O marido enganado é um homem que se engana a respeito da mulher que o engana.
- Sérgio Porto, o Stanlislaw Ponte Preta (Rio de Janeiro 1923 – Idem 1968) cronista e humorista fluminense

É dever do homem levantar o homem.
- José Marti (Havana 1853 – Dos Rios 1895) poeta, ensaísta e jornalista cubano

Veja o meu caso: eu caminhei do nada para um estado de extrema pobreza.
- Groucho Marx (Nova York 1890 – Los Angeles 1977) ator comediante americano

A religião é o gemido do oprimido.
- Karl Marx (Trier 1818 – Londres 1883) economista, político, filósofo e ensaísta alemão

As pessoas pedem críticas, porém só desejam ouvir elogios.
- William Somerset Maughan (Paris 1874 – Londres 1065) romancista, contista, dramaturgo e ensaísta inglês

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

MÍDIA

Enzo Carlo Barrocco






















Quero a mídia
dos que me falam mal,
dos que falam mal de mim
torcendo a boca.

Eu os quero bem,
pássaros escarlates,
que me divulgam ao mundo
sem o devido reembolso.

Pensem que eu seja, embora
sendo ou não
uma flor de urtiga.

Podem continuar, desautorizados
de mim, vermes sacrossantos.
sua sórdida publicidade benfazeja
.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

GENIVAL LACERDA E A MÚSICA NO JIRAU

Resenha

por Enzo Carlo Barrocco





TÍTULO: TRIBUTO A JACKSON DO PANDEIRO

INTÉRPRETE: GENIVAL LACERDA

GRAVADORA: RGE (1998)

Um trabalho de valor inestimável. É o que é esse CD do irreverente Genival Lacerda, um dos representantes nordestinos na MPB, numa justa homenagem a Jackson do Pandeiro, “O Rei do Ritmo” (falecido em 1982). José Gomes Filho, ou melhor, Jackson do Pandeiro dispensa qualquer comentário e essa homenagem feita por Genival, seu conterrâneo, vem resgatar a importância desse paraibano dentro da MPB. Genival dá uma conotação mais malemolente, digamos assim, a verdadeiras jóias como: Cantiga do Sapo (Buco do Pandeiro – Jackson do Pandeiro), Sebastiana (Rosil Cavalcante), Forró em Limoreiro (Edgar Ferreira), Forró em Caruaru (Zé Dantas), Secretário do Diabo (Osvaldo Oliveira – Ronaldo Costa), Como Tem Zé na Paraíba (Catulo de Paula – Manezinho Araújo), entre outras. Os músicos que acompanham Genival são excepcionais, destacando-se a dupla de sanfoneiros Dominguinhos e Osvaldinho. São vinte músicas sendo doze em pout-pourri. Não deixe de adquirir esse maravilhoso trabalho, possa ser que você não tenha outra oportunidade.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

RIMBAUD: O POETA INFANTE


JEAN-ARTHUR RIMBAUD
(Charleville 1854 – Marselha 1891)
Poeta francês

Quando eu atravessava os Rios impassíveis,
Senti-me libertar dos meus rebocadores.
Cruéis peles-vermelhas com uivos terríveis
Os espetaram nus em postes multicores.
Eu era indiferente à carga que trazia,
Gente, trigo flamengo ou algodão inglês.
Morta a tripulação e finda a algaravia,
Os Rios para mim se abriram de uma vez.

Imerso no furor do marulho oceânico,
No inverno, eu, surdo como um cérebro infantil,
Deslizava, enquanto as Penínsulas em pânico
Viam
turbilhonar marés de verde e anil.

Tradução: Haroldo de Campos

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

OS ANUNS

Enzo Carlo Barrocco



Ontem uns pássaros negros
na manhã que se abriu
pousavam álacres;
anuns e arbustos.
A liberdade em tudo que possa existir.

Em tudo tem de haver liberdade:
Vento, sol, pássaros, pessoas.
Liberdade, liberdade,
A liberdade imensurável dos anuns.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

TOCO PRETO E A MÚSICA NO JIRAU

TÍTULO: UM CAVACO NO PARTIDO (CHORINHO)

INTÉRPRETE: TOCO PRETO

GRAVADORA: CBS/TROPICANA – 1974

Toco Preto é um daqueles chorões que não pode ser encontrado facilmente. Instrumentista de primeira linha coloca o cavaquinho, musicalmente, onde bem entende, ainda mais que o repertório, aqui, foi magistralmente escolhido. Toco transforma, por exemplo, “Forever and Ever” (S. Flavianos – R. Constantinos), a qual Demis Roussos deu conotação universal, numa verdadeira obra de arte, passando por “Lamento” (Pixinguinha – Vinícius de Morais), adaptada bem ao seu estilo; “Viagem” (João de Aquino – Paulo Cezar Pinheiro); “Matriz ou Filial” (Lúcio Cardim); “Kalu” (Humberto Teixeira) que ao cavaquinho é absolutamente deliciosa, bem como algumas composições suas: “Calango Pé de Cana”, “Espere no Cais”, em parceria com Marcos Venâncio; “Espere o Carnaval”. Esse disco, transformado em raridade, certamente está fora de circulação. Contudo, caso você tenha oportunidade de ouvi-lo, ouça-o. Toco Preto e o cavaquinho, aqui, estão, simplesmente, excepcionais.

EM TEMPO: Infelizmente não consegui nenhuma informação adicional sobre o artista, tampouco uma foto.

UM POEMA DA LAVRA DO VOGT


Carlos Vogt
(Sales Oliveira 1943)
Poeta paulista

Bichos da Noite


Um dia
era noite
eu disse para duas moças velhas
Sentadas num alpendre de jardim:
Cuidado com os curiangos!
Elas em uníssono responderam:
Não sabemos o que é curiango,
mas não fale conosco assim.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

JIRAU DIVERSO Nº 17

JIRAU DIVERSO
Nº 17 – julho.2007
por Enzo Carlo Barrocco


A poesia sergipana de Gizelda Santana de Morais

O Poema

Viola de Gamba
Nossas mãos juntas
construirão gestos insuspeitados
nossos passos juntos caminharão
dobro dos caminhos
nossos corpos juntos
suportarão o peso das pressões
elevado ao quadrado
nossos mentes juntas
nossos pensamentos
nossos momentos
se esticarão como cordas
de viola de gamba
nos ouvidos dos séculos.


A Poeta

Gizelda Santana de Morais, sergipana de Campo do Brito, poeta, contista e romancista, no convés da fragata desde 1939, teve seu primeiro livro, “A Rosa do Tempo”, publicado em 1958. Desde então Gizelda vem sempre se destacando nos meios literários brasileiros. O trabalho do Gizelda, mormente a poesia, deixa transparecer uma alma inquieta e preocupada com os rumos que a humanidade está tomando. Saudemos o vigor poético de Gizelda!

***

ESTANTE DE ACRÍLICO

Livros Sugestionáveis

A Lua e os Saltimbancos
Autor: Fernando Tasso
Edição do autor
A excelente escrita de Fernando Tasso enternece logo á primeira leitura. “A Lua e os Saltimbancos” é um tesouro a ser descoberto.

Chove nos Campos de Cachoeira
Autor: Dalcídio Jurandir
Edição: Cejup/Secult/A Província do Pará
A história de um morador dos campos nos confins da Ilha do Marajó. A vida atribulada do homem marajoara enfrentando as intempéries daquela região.

Ércia os os Elfos
Autor: Reivaldo Vinas
Edição: Secult - FCPTN
A escrita nevrálgica de Reivaldo nos remete a um mundo de deuses, fadas, gnomos, duendes. Os poemas são resultado de anotações circunstanciais e escritos diários que foram tomando contornos simbólicos.

***

A FRASE DI/VERSA

Tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, é que o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão.
- Machado de Assis (Rio de Janeiro 1839 – Idem 1908) poeta, contista, romancista, dramaturgo, cronista e ensaísta fluminense
.

***

DA LAVRA MINHA

CONTRA A NATUREZA NÃO TEM QUEM VÁ

Enzo Carlo Barrocco

As águas avançam
sobre os muros de contenção.
O mar engole pedra e cal;
inevitavelmente.
As areias
tomam conta das mansões.
Vento e chuva contra as janelas
simples.
As enchentes afogam
as cidades,
ciclones arrasam as cidades.
Contra a natureza não tem quem vá.

PABLO NERUDA: O POETA UNIVERSAL


Pablo Neruda
(Parral 1904 - Santiago 1973)
Poeta chileno

POEMA XXIII

Os dias não se descartam nem se somam, são abelhas
que arderam de doçura ou enfureceram
o aguilhão: o certame continua,
vão e vêm as viagens do mel à dor.
Não, não se desfia a rede dos anos: não há rede.
não caem gota a gota de um rio: não há rio.
O sonho não divide a vida em duas metades,
nem a ação, nem o silêncio, nem a virtude:
a vida foi como uma pedra, um só movimento,
uma única fogueira que reverberou na folhagem,
uma flecha, uma só, lenta ou ativa, um metal
que subiu e desceu queimando em teus ossos.

A LANTERNA DOS LUMIÈRE – AS AVENTURAS DE ALBERT FINNEY

Resenha
por Enzo Carlo Barrocco

A INOCENTE INTENÇÃO DE CHOCAR

FILME: As Aventuras de Tom Jones (Tom Jones) – Comédia – Inglaterra (1963) 121 minutos. Direção Tony Richardson. Com: Albert Finney, Susannah York, Hugh Griffith, Edit Evans, Joan Greenwood.

“As Aventuras de Tom Jones”, filmado há 45 anos, hoje ficou com cara de filme B. Richardson leva a direção a contento. Tom Jones (Finney) é o filho adotivo de um dono de terras e que se vê obrigado a sair de casa por que se apaixonara pela filha do vizinho (York), que quer vê-la casada com o irmão afetado de tom. O filme tem a inocente intenção de chocar. Finney, que como o filme, arrematou o Oscar de melhor ator, é plausível.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

JIRAU DIVERSO Nº 19

Envelhecer é apenas um mau hábito que os homens ocupados não têm tempo de adquirir.
- André Maurois (Elbeuf 1885 – Paris 1967) romancista e biologista francês

- William Somerset Maughan (Paris 1874 – Londres 1965) romancista, contista, dramaturgo e ensaísta inglês nascido na França

Quando a vida é insípida, a própria desgraça é um divertimento; e um incêndio, uma festa.
- Maksím Gorki (Nijny Novgórod 1868 – Moscou 1936) romancista e dramaturgo russo

A doçura maior da vida flui na luz do sol. Até urubus são belos no largo círculo dos dias sossegados.
- Cecília Meireles (Rio de Janeiro 1901 – idem 1964) poeta e cronista fluminense

A morte é indolor
o que dói nela é o nada
que a vida faz do amor.
- Thiago de Melo (Bom Socorro, distrito do município de Barreirinha 1926) poeta amazonense

Estando em moda todos os vícios passam por virtudes.
- Jean-Baptiste Poquelin, o Molière (Paris 1622 – Idem 1673) dramaturgo e ator francês

A maior coisa do mundo é saber como ser você mesmo.
- Michel de Montaigne (Périgord 1533 – Bordeaux 1592) ensaísta francês

A corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção de seus princípios.
- Montesquieu (La Brède 1689 – Paris 1755) filósofo francês

A verdadeira poesia deve comunicar antes de ser compreendida.
- T. S. Eliot (St. Louis 1888 – Londres 1965) poeta e dramaturgo inglês nascido nos Estados Unidos

Trabalha e fiscaliza com severidade e justiça a aplicação do produto do teu esforço.
- Roquette-Pinto (Rio de Janeiro 1884 – Idem 1954) antropólogo e educador fluminense

O homem é um aprendiz, a dor o seu mestre.
- Alfred de Musset (Paris 1810 – Idem 1857) poeta, dramaturgo e romancista francês

Duvide de tudo ao menos uma vez. Até da regra: duas vezes dois é quatro.
- Georg Lichtenberg (Oberramstadt bei Darmstadt 1742 - Göttingen 1799) filósofo alemão